dezembro 04, 2006

AS CÉLULAS ESTAMINAIS PERMITIRÃO CHEGAR Á CURA DE DOENÇAS COMO A DIABETES TIPO I

Recentemente , a notícia de se querer misturar ADN humano com óvulos de vaca reacendeu a polémica no Reino Unido


A experiência, a partir da qual retiramos um núcleo de célula humana e o introduzimos num óvulo de outro animal,foi feita pela primeira vez na China,com óvulos de coelho,para fazer células estaminais.Acho que está certo,mas não vai ser relevante.Não porque ache que é perigoso,mas porque isso pode ser feito com melhores técnicas.
Existem outras tentativas do género.?
A experiência mais importante neste campo foi divulgada há alguns meses,no Japão.Tirararm quatro genes de células estaminais e puseram-nos num fibroblasto(parte de uma célula)de um rato.E transformaram essa célula de rato numa célula estaminal.Isso tornará as células estaminais irrelevantes porque,a partir daí,podemos pegar nas células de uma pessoa,tirar um fibroblasto,pôr lá os genes apropriados,torná-lo uma célula estaminal e implantá-las de novo,na pessoa.Isso exige muito mais trabalho dos cientistas,mas esta é uma direcção a seguir.
No futuro,graças às células estaminais,teremos seres humanos completamente saudáveis.
Aubry de Grey, um cientista de Cambridge,acha que daqui a 10 anos podemos fazer com que os ratos vivam para sempre.E daqui a 20 anos podemos fazer com que as pessoas se tornem imortais.A propósito,ele é louco.Mas é bastante inteligente.Tem, no seu site,um plano de sete pontos para fazer as pessoas viverem eternamente.Eu acho essa ideia aterrorizadora.Se alguém me dissesse que iria viver eternamente atirava-me para a linha do comboio.
Na diabetes tipo 1,tudo o que é preciso fazer é criar as células produtoras de insulina,pô-las num lugar onde possam viver,e assegurarmo-nos de que elas respondem à glicose.
Isso deve chegar.
Neste caso,o sistema imunitário não vai atacar essas novas células,como em outras doenças auto imunes ?
Temos de perceber o porquê da possibilidade de o sistema imunitário atacar as células novas.Requer que se investigue muito mais.
Poderá ser uma alternativa à quimioterapia num futuro próximo?
Acho que não podemos falar num tratamento num futuro próximo para nenhumas destas doenças.Não nos próximos 10 anos.Mas penso que existe esperança na luta contra o cancro com este tipo de terapias.Muitos tipos de cancro são alimentados por células estaminais.
É quando os tratamos com radiações e medicamentos,normalmente não acabamos com essas células,e o cancro acaba por reaparecer.Mas agora temos novas fórmulas de identificar tumores numa fase inicial nesses tipos de cancro.Podemos começar a criar medicamentos para eles,o que ainda não se tentou,pelo menos que eu saiba diz o Dr. Martin Raff.Será por issso uma nova era da ciência.
Em alguns casos justifica-se a aplicação da eutanásia? Sou um feroz defensor da eutanásia e farei tudo o que poder para a tornar legal.Coloco uma questão.Quando chegamos aos 80 anos ,temos 15 a 20% de hipóteses de nos ser diagnosticada doença de Alzheimer.Queremos acabar os nossos dias amarrados a uma cadeira,sem sabermos quem somos,onde estamos,ou quem são as pessoas à nossa volta?Podemos ficar assim durante anos.Eu nunca ouvi ninguém dizer que sim.E há cada vez mais pessoas a atingirem essa faixa etária.Então o que vamos fazer? Os únicos estados que já legislaram sobre isso são a Holanda,a Bélgica e o Oregon,nos Estados Unidos.No meu ponto de vista,é a decisão mais sensata de se tomar .
Mas esses estados especificaram certas situações para aplicar a eutanásia.
Os únicos argumentos contra isto relacionam-se com as nossas crenças:Se Deus nos deu vida é o único que a pode tirar.Até se pode acreditar nisso,mas eu não acredito.Por isso,a decisão devia ser individual.E é uma decisão difícil para um médico que sabe que o paciente não vai melhorar,que tem no máximo dois anos de vida e que vai piorar todos os dias.O que pode fazer um médico?Os clínicos aplicam-na agora, mas de uma maneira irregular - porque é ilegal-ao desligar o ventilador ou as máquinas que agarram o doente à vida.
Mas não deixa de ser uma solução polémica.
O aborto, por exemplo,é legal em muitos países,e o que é estranho é que,neste caso,retira-se a vida de alguém que não pediu para morrer ao contrário da eutanásia.
Na ciência há a necessidade de publicar trabalhos para conseguir fundos,ao ponto de encontrar-mos em jornais rubricas denominadas "bad science" (má ciência).
Os jovens cientistas tem mesmo de publicar,caso contrário não terão bolsas ou trabalho.É um problema muito sério.Existe uma enorme pressão para publicar resultados de investigação,e isso leva a que sejam divulgados trabalhos que não trazem nada de novo.Mas,se não se publicar,corre-se o risco de deixar trabalhos válidos no esquecimento.Então, aí diz-se que não fizemos nada.Portanto,qualquer coisa que se produza, com um pouco de significado tem de ser publicado.
E como se pode resolver este problema?
Isto terá de ser feito de uma maneira racional,o que vai acabar por acontecer.Agora tudo pode ser publicado na Internet.Depois há que fazer uma triagem.Haverá grupos de cientistas à procura do que é publicado e a dizer o que é bom e o que não é.Não será para já,mas haverá uma altura em que o sistema vai funcionar assim.A internet torna tudo possível.


Fonte: Semanário SOL

ENVELHECER BEM

CUIDADO COM A VISÃO,TENSÃO ARTERIAL E MOBILIDADE

Um idoso que cai e parte o colo do fémur precisa,além de fisioterapia,de avaliar a visão,a tensão e os níveis de glicémia no sangue.Pode ver mal,ter hipertensão - que provoca tonturas - ou sofrer de crises de hipoglicémia,que o fazem cair.A polipatologia é frequente no grupo etário acima dos 65 anos e,em Portugal,onde ainda não há especialidade médica de geriatria ,é analisada noutras consultas.O Hospital Garcia de Orta,em Almada,é uma das excepções.
Há cerca de 10 anos que os idosos passam pelo filtro da avaliação do especialista em medicina interna Wolgang Gruner:O também membro da Associação Portuguesa de Psicogerontologia avalia cada caso com cuidado:"Há quatro problemas fundamentais-visão,audição,tensão e mobilidade - e nenhum pode ser negligenciado".
Maria João Quintela,médica de clinica geral e membro da Sociedade Portuguesa de Geriatria,realça a questão da "polimedicação" associada às grandes doenças dos mais velhos:"Para evitar a toma exagerada de medicamentos,a coordenação entre as especialidades é muito importante".Quando não existe,o resultado pode ser comprimidos a mais e saúde a menos".
Os efeitos dos medicamentos nas pessoas com mais de 65 anos podem ser potenciados,porque são geralmente magras e os processos de absorção e eliminação fazem-se de forma lenta.Maria João Quintela exemplifica com uma situação comum:num adulto,um comprimido para dormir é eliminado "ao fim de oito a 10 horas",enquanto num idoso o processo leva mais tempo,Por isso a médica diz que,em regra e pelo menos de início,deverão ser receitadas doses mais baixas:
"Caso contrário,estamos a permitir mais tonturas,quedas e até problemas
gástricos como úlceras ou hemorragias do foro digestivo".
A ajuda que os idosos possam ter no domicílio é outro aspecto muito importante,Wolgang Gruner não esquece a dependência dos cuidados de saúde em casa e apresenta a assistentes sociais o caso daqueles com dificuldades em cumprir a higiene diária.
Segundo dados de 2005,há cerca de 18% de portugueses com mais de 65 anos(mais 10% do que em 1960).e um dos objectivos da Sociedade Portuguesa de Geriatria é promover a sua autonomia e independência física e mental."Ser idoso não significa ser doente"lembra Maria João Quintela.


Fonte:Semanário Sol